Peixe-palhaço em anêmona-do-mar, Ilhas Raja Ampat, Indonésia (© Magnus Lundgren/Nature Picture Library)
À primeira vista, parecem flores submarinas. Mas as anêmonas-do-mar são animais, parentes dos corais e das águas-vivas. Fixas no fundo do oceano, elas balançam tentáculos armados com minúsculos dardos venenosos que paralisam presas desavisadas. Para quase todos ali, é armadilha. Para um morador famoso, é condomínio.
Na foto, um peixe-palhaço espia entre esses tentáculos em Raja Ampat, na Indonésia, uma constelação de ilhas no Triângulo de Coral com uma das maiores concentrações de espécies marinhas do planeta. O segredo desse peixe está numa camada de muco que o torna imune às ferroadas da anêmona. Resultado: abrigo garantido. Em troca, ele afugenta invasores e deixa migalhas de comida que viram refeição para a anfitriã.
Essa cooperação é um clássico da biologia marinha. E lembra que, nos oceanos, alianças curiosas são comuns. Nos recifes do Brasil, especialmente em Abrolhos, peixes-limpadores fazem acordos semelhantes com espécies maiores, retirando parasitas em troca de refeição. No mar, sobreviver muitas vezes depende menos de força… e mais de bons vizinhos.